2020 consagra futebol pobre dos times mais ricos do Brasil

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2020 consagra futebol pobre dos times mais ricos do Brasil
2020 consagra futebol pobre dos times mais ricos do Brasil
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Thiago Maia em Palmeiras x Flamengo – Foto: Alexandre Vidal

CORREIO BRAZILIENSE: Marcos Paulo Lima

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Demorou, mas acabou. A temporada 2020 chega ao fim consagrando o futebol pobre dos dois clubes mais ricos do país. O Palmeiras empilhou Paulistão, Libertadores e Copa do Brasil depois do triunfo por 3 x 0 sobre o Grêmio na decisão do segundo torneio mais importante do País. O Flamengo arrematou Carioca, Supercopa do Brasil, Recopa Sul-Americana e o Brasileirão. Juntos, ambos conquistaram sete títulos, mas não deixam legado. A qualidade do futebol apresentado por alviverdes e rubro-negros é duvidosa. Poderia ter sido melhor.

Sim, vale ponderar, é claro, que estamos em meio à pandemia. Dá para contar nos dedos de uma mão times capazes de arrancar suspiros. O Bayern de Munique, de Hansi Flick, é um deles. Apesar da derrota deste domingo para o Manchester United por 2 x 0 pelo Campeonato Inglês, cito o Manchester City, de Pep Guardiola. Pelas bandas da América do Sul, sigo apreciando o futebol do River Plate, de Marcelo Gallardo.

Adversários na decisão da Supercopa do Brasil, provavelmente em Brasília como publicou o blog em janeiro, Palmeiras e Flamengo não fizeram mais na temporada, talvez, porque perderam tempo. Ambos escolheram mal seus técnicos. O time paulista não engrenou com Vanderlei Luxemburgo. O carioca emperrou sob a batuta de Domènec Torrent. Abel Ferreira e Rogério Ceni assumiram, respectivamente, para fazer um trabalho emergencial. A missão era ganhar o que fosse possível.

Dos três títulos do Palmeiras, um teve a assinatura de Vanderlei Luxemburgo (Paulistão) e dois de Abel Ferreira (Copa do Brasil e Libertadores). Jorge Jesus ganhou Carioca, Supercopa do Brasil e Recopa Sul-Americana ao Flamengo em 2020. Rogério Ceni acrescentou o Brasileirão.

O Palmeiras resgatou o modelo que deu certo na última passagem de Luiz Felipe Scolari pelo cargo: forte marcação e contra-ataque letal. Assim o time conquistou o Brasileirão em 2018, quando a referência era Dudu. O Flamengo não jogou como na Jesus, mas conseguiu se reinventar no fim da temporada com mudanças audaciosas de Rogério Ceni. É preciso admitir que Willian Arão na zaga e Diego no papel de volante reorganizaram o bicampeão brasileiro.

O maior legado de Palmeiras e Flamengo é o investimento na base. Os dois clubes decidiram o Brasileirão Sub-20 em dezembro de 2019. Os rubro-negros levaram o título, mas a colheita do Palmeiras é mais abençoada. Gabriel Menino, Patrick de Paula e Danilo estão consolidados no time titular. Por sinal, dois dos três gols no triunfo sobre o Grêmio por 3 x 0 no placar agregado foram marcados por jovens da academia: Wesley fez o primeiro neste domingo e Gabriel Menino consolidou o resultado tranquilo contra o Grêmio. O Flamengo alçou o questionado goleiro Hugo Souza ao papel de titular e deu milhagens a Natan, Matheuzinho e João Gomes.

Protagonistas na primeira temporada de futebol com pandemia, os clubes mais ricos do país terminam 2020 com uma diferença grande nos cofres no que diz respeito a dinheiro arrecadado com premiações. Cifras levantadas pelo colega Rodolfo Rodrigues do portal UOL apontam que o Palmeiras ganhou R$ 216,38. O Flamengo ganhou R$ 66 milhões, atrás do próprio Palmeiras, do Santos (R$ 85,4 milhões) e do Grêmio (R$ 78,6 milhões).

Portanto, se há uma corrida à parte entre Palmeiras e Flamengo, o atual bicampeão brasileiro larga em desvantagem na próxima temporada. Arrecadou quase quatro vezes menos do que o time alviverde com premiações. Além disso, não conta com um mecenas como a Crefisa, cuja dona tem interesse de investir ainda mais no clube porque pretende ser presidente.

Encerrada a temporada 2020, a pergunta que não quer calar é: quem conseguirá rivalizar com Palmeiras e Flamengo em 2021, a segunda temporada com pandemia? Atlético-MG, São Paulo e Internacional se organizam para isso. O Grêmio também estuda abrir o cofre. Mais algum candidato? Acho que não, hein…

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