Flamengo: A importância do comando

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Flamengo: A importância do comando
Flamengo: A importância do comando
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Marcos Braz ao lado da comissão técnica de Ceni e de jogadores campeão Brasileiro pelo Flamengo – Foto: Alexandre Vidal

GILMAR FERREIRA: Rogério Ceni ficará no Flamengo para mais uma temporada de vitórias.

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E não sei porque ainda levantam suspeitas sobre seu futuro no clube.

Afinal, antes mesmo da conquista do bicampeonato brasileiro, o vice de futebol Marcos Braz já havia informado que o treinador seguiria até o final do contrato.

Naquele momento de maior turbulência, chegou a se dizer incomodado com a pressão por outra troca no comando do time.

“Não trabalho desta forma”, resumiu certa vez, segurando o treinador no cargo num momento em que os resultados de campo não referendavam a continuidade.

Aqui no Brasil, depois que o futebol passou a ser atividade por onde passam rios de dinheiro, valoriza-se pouco, ou quase nada, o comando.

A má fama dos cartolas, não raramente responsáveis pelas más gestões dos clubes, fez com que olhássemos de soslaio para essas figuras.

E não sem razão: afinal, alguns inclusive já foram flagrados em negócios escusos,

Particularmente, prefiro ver o departamento mais importante do clube nas mãos de profissionais balizados por metas desportivas e financeiras.

Mas não desprezo o trabalho de estatutários que conseguem os resultados.

É raro, mas de vez em quando surge quem mereça o reconhecimento.

E por isso li com espanto, na coluna de Ancelmo Gois, no Globo, que o próprio Flamengo não convidou seu vice de futebol para a premiação na sede da CBF.

Escolheu ser representado pelo presidente e pelo executivo Bruno Spindel, nome de confiança da cúpula da diretoria administrativa.

A discussão política não me seduz.

Mas reconhecer a competência do titular da pasta é um dever.

Braz esteve à frente do futebol rubro-negro nos três últimos títulos brasileiros – e não deve ter sido apenas por sorte.

Nesta era da instantaneidade e do cancelamento sumário, os clubes de massa sofrem horrores para ter uma só voz de comando.

E se antes a crônica esportiva os fiscalizava e cobrava pela má condução, hoje o controle externo se dá em tempo real, e por “influenciadores” de várias matizes.

E Marcos Braz trabalhou muito bem.

Principalmente no suporte para que Rogério Ceni pudesse se impor junto a um elenco milionário e incensado pelas conquistas de 2019.

Algo que para mim foi tão decisivo quanto o gol de Gabriel Barbosa no 2 a 1 sobre o Internacional na penúltima rodada.

Mas o trio que o administra o Flamengo (Rodolfo Landim, Luís Eduardo Baptista e Rodrigo Tostes) não simpatiza com Marcos Braz – apenas o tolera.

E por interesses políticos, sempre que pode, o varre para debaixo do tapete.

Talvez, por saber que a eficiência dele na montagem e na gestão do elenco deram ao clube o tamanho que a torcida gostaria…

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