Flamengo e Palmeiras se salvam em temporada difícil de esquecer

7
Flamengo e Palmeiras se salvam em temporada difícil de esquecer
Flamengo e Palmeiras se salvam em temporada difícil de esquecer
Publicidade

Arrascaeta em Palmeiras x Flamengo – Foto: Alexandre Vidal

GLOBO ESPORTE: Por Ricardo Gonzalez

Publicidade

A sensação ao ouvir o apito final do duelo entre Palmeiras e Grêmio foi imediata. Ufa, pelo menos no futebol, este triste 2020 acabou. Temporada difícil, dolorosa, marcada em todo o mundo por este maldito Covid-19. Que nos levou profissionais como Marcelo Veiga, Ruy Scarpino, e o meu querido amigo Rodrigo Rodrigues. Uma página tristemente virada, que por outro lado será marcada por duas coisas muito boas: as campanhas de Palmeiras e Flamengo. Os dois melhores times do país, os dois mais bem geridos clubes do país, os papa-títulos do país. Flamengo campeão da Recopa Sul-Americana, da Supercopa Sul-Americana, do Estadual (com o mítico Jorge Jesus) e o bi brasileiro (conquista dividida entre o injustiçado Domenec Torrent e Rogério Ceni); Palmeiras campeão estadual (com seu ídolo Vanderlei Luxemburgo), da Copa do Brasil e da Libertadores (com outro “patrício” também brilhante, Abel Ferreira).

A marca do Flamengo são seus craques, muito mais do que seus comandantes. Quando Jesus volta para seu Portugal, o time passa às mãos do espanhol Domenec Torrent. Que entendeu mal o que precisava fazer. Pensou em aprender no primeiro ano, implementar uma ideia no segundo e brilhar por três anos a partir de 2022. Mas, pelo elenco que tem, o Flamengo exigia que 2022 fosse em 2020 mesmo. Recorro às palavras de Diego Ribas no “Bem, Amigos”: “Se Dome tivesse sido mais personalista, tivesse respeitado menos o trabalho de Jorge Jeses e implantasse logo de cara a sua proposta, o time poderia ter derrapado nas primeiras rodadas, mas logo voltaria a ser vitorioso”.

O título brasileiro é do espanhol também. Jogou 20 partidas da Liga e ganhou 35 pontos. Rogério Ceni, que teve sem dúvida méritos, e que foi quem cruzou a linha de chegada na frente, jogou 18 e conquistou 36 pontos (unzinho a mais do que o espanhol). Ceni criou espaço para Diego recuando Arão, empurrou Arrascaeta para a esquerda para abrir espaço no meio para Gerson, aproximou Bruno Henrique de Gabigol… ok, trabalho que o técnico tem de fazer mesmo. Mas o Flamengo salvou o seu 2020 essencialmente porque tem estrelas de primeiro nível dentro de campo. Uma geração que nenhum rubro-negro jamais esquecerá.

O Palmeiras têm esse protagonismo, essa ribalta, divididos entre Abel Ferreira, primeiro estrangeiro a ganhar a Copa do Brasil, segundo português a ganhar a Libertadores, e as brilhantes pratas da casa. Ok, Weverton é o melhor goleiro do país, Gustavo Gomes honra a melhor tradição de zagueiros paraguaios como Reyes e Gamarra, Raphael Viega, William Bigode, Rony e Luiz Adriano tiveram seus momentos. Mas 2020 será lembrado, para o bem, como o ano em que Gabriel Veron, Daniel e, principalmente, Patrick de Paula e Gabriel Menino viraram estrelas cadentes.

Quanto a Abel Ferreira, embora seus dois títulos pesados e a relatividade do tempo neste 2020 dê a entender que ele está no Palmeiras desde a fundação do clube, ele chegou ao clube há escassos quatro meses. Vou repetir: quatro meses. Domingo, dia em que 2020 acabou no futebol brasileiro, foram 122 dias de Abel Ferreira. Que já havia promovido o atropelamento de Marcelo Gallardo na Argentina, e que no duelo contra Renato Gaúcho… deu pena do oponente. Abel surpreendeu nas escalações, nas funções dos escalados, e os dois gols marcados na Allianz Arena foram aulas de contra-ataque, de objetividade, de velocidade… de letalidade. Lembrou-me do estilo da Alemanha, campeã do mundo de 2014.

Parabéns a Palmeiras e Flamengo. Obrigado a esses dois times por fazerem de 2020 um ano menos triste. São os times agora a serem batidos. E, exceção feita ao Atlético-MG, não têm muito com o que se preocupar a curto prazo, podem tranquilamente em 2021 repetir a trajetória de conquistas. A conferir.

Uma pena que, olhando para os números da pandemia, olhando para as praias, bares, festas, olhando para as UTIs entupidas de doentes, olhando para a politização da vacina, eu volto à dura realidade do tempo: 2020 está longe de acabar. Até porque tem muita gente fazendo uma força descomunal pra segurar ou empurrar pra trás o ponteiro desse relógio…

Publicidade