“Só compraremos alguém, depois de vender”, revela dirigente do Flamengo

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“Só compraremos alguém, depois de vender”, revela dirigente do Flamengo
“Só compraremos alguém, depois de vender”, revela dirigente do Flamengo
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Jogadores do Flamengo comemorando gol em partida contra o Internacional (Foto: Marcelo Cortes/Flamengo)

A atual crise global teve um efeito devastador no mundo e também na economia dos clubes. O Flamengo fez as contas e concluiu que deixou de ganhar no último ano R$ 110 milhões, principalmente com a ausência de bilheteria e queda brusca no número de sócios-torcedores – de 150 mil para 61 mil.

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Depois do 2019 mágico e do recorde de receita (R$ 950 milhões), o Flamengo vai publicar até o fim deste mês o balanço de 2020, que apontará a receita total de 670 milhões. Apesar de ter tido 23% a mais de renda com marketing e de ter reduzido custos, o clube encerrou o exercício com prejuízo de R$ 100 milhões.

— A atual crise custou ao Flamengo R$ 110 milhões. E o impacto no orçamento foi de R$ 200 milhões (além dos R$ 110 milhões, mais R$ 90 milhões de receitas que entraram só em 2021, como a premiação do Brasileiro e direitos de transmissão) – disse Rodrigo Tostes, vice-presidente de finanças.

O ano foi difícil, e 2021 promete ser da mesma forma desafiador. Apesar de iniciar esta temporada com R$ 70 milhões em caixa, o Flamengo vai apertar o cinto. No planejamento, a única contratação com compra de direitos econômicos é a de Pedro (14 milhões de euros). Também está clara a necessidade de vender atletas e chegar ao valor total de R$ 140 milhões.

Panorama das finanças rubro-negras:

  • O clube teve o indicador financeiro Ebitda, que mostra geração de caixa, R$ 100 milhões positivo, mesmo com todos os problemas;
  • Em função do alto investimento e outras variações, como a cambial, o prejuízo do exercício 2020 foi de 100 milhões, equivalente ao valor da perda de receita com bilheteria e sócio-torcedor;
  • Aumento de 23% de receita com marketing;
  • Redução de despesa operacional;
  • Flamengo termina o ano com R$ 70 milhões em caixa;
  • Endividamento financeiro (empréstimo bancário) equivalente ao de 2019 – cerca de R$ 60 milhões.

— No nosso orçamento, a contratação já foi feita: Pedro. Também está no orçamento uma previsão de vendas em janeiro (R$ 50 milhões), que já foi cumprida (Lincoln e Yuri César), e outra que precisa ser cumprida em julho (R$ 90 milhões). Não vamos fazer loucura. Não tem possibilidade disso. Existe um orçamento e precisa ser cumprido. Só vai comprar atleta depois que vender – disse Tostes.

Em entrevista ao ge, o vice financeiro Rodrigo Tostes e o diretor Fernando Góes esmiuçaram a situação financeira do clube. Apesar das dificuldades, existe a confiança de que o clube está saudável, mas que não pode dar passos maiores do que as pernas. E há a certeza de que a volta do público aos estádios é primordial para o Flamengo sustentar seu alto investimento.

— Isso demonstra a capacidade do clube de reagir durante a pandemia e de se preparar para 2021, que seguirá sendo desafiador. O Flamengo não vai dar nenhum passo maior do que a perna. Teremos que ter mais precaução e caminhar mais devagar. Não estamos vendo previsão de as receitas voltarem. Nenhum clube é estruturado para viver sem bilheteria – disse Tostes.

Retirado de: Globo Esporte

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