Sobre títulos públicos

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Pedro, do Flamengo, com medalha de campeão Brasileiro – Foto: Alexandre Vidal

CORREIO BRAZILIENSE: Marcos Paulo Lima

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Em tempo de debates sobre privatizações, o país tem o bicampeão e o vice do Brasileirão; e um dos finalistas da Copa do Brasil turbinados por bancos estatais. O Flamengo estampa o Banco de Brasília (BRB). Internacional e Grêmio — rival do Palmeiras na decisão do segundo torneio mais importante do país — são parceiros do Banrisul.

A Série A não tinha campeão financiado com dinheiro público desde o Corinthians, em 2015. A Caixa patrocinava o clube paulista. Nos títulos de 2016 e 2018, o Palmeiras exibia Crefisa. O Timão expôs a Cia do Terno em 2017. Em 2019, o Flamengo recebia do banco digital BS2. Aliás, conquistar o Brasileirão com auxílio estatal não é novidade para o Flamengo. A Petrobras anunciou na camisa do clube de 1984 a 2009.

Os modelos de negócios do BRB e do Banrisul são diferentes. A estatal candanga não patrocina o Flamengo. Considera parceria na criação do banco digital. Prevê repasse mínimo de R$ 32 milhões ao clube. Por sinal, o rubro-negro receberá da CBF R$ 33 milhões pelo título brasileiro, ou seja, quase o mesmo valor acordado com o BRB.

Patrocinador da dupla Gre-Nal desde 2001, o Banrisul investe R$ 16 milhões por ano nos principais times gaúchos. Cada um recebe R$ 12,8 milhões pela área nobre da camisa e R$ 3,2 milhões relativo às mangas, totalizando o montante. O Colorado está no lucro. O vice rendeu R$ 31,5 milhões.

Os investimentos de bancos estatais em clubes de futebol são cada vez mais escassos. Em 2018, a Caixa tinha contrato com 24 clubes do país. Doze deles na Série A.

O Banpará turbinou Paysandu e Remo na Série C desta temporada com as compras dos naming rights dos estádios da Curuzu e Baenão. O Remo subiu para a Série B. Recém-promovido à C, o Altos-PI recebeu incentivo do Governo do Estado do Piauí até 2019. Inclusive usava logomarca na camisa.

Entendo que os bancos estatais e/ou privados têm suas provisões de patrocínio para aplicação na modalidade que der mais retorno à instituição financeira. É um negócio. Simples assim. Mas há outro mundo lá fora.

Em 2020, perguntamos ao presidente da Caixa, Pedro Guimarães, no Correio, se a estatal voltaria a patrocinar o futebol. “A Caixa é o banco dos pobres, o foco é outro”, respondeu, endossando a tese do chefe dele, Paulo Guedes. O ministro da Economia cortou o apoio aos clubes no início do governo Bolsonaro: “Às vezes, é possível fazer coisas 100 vezes melhores com menos recursos do que gastar com publicidade em times de futebol”, justificou Guedes. E você, o que acha?

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